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Maior produtor brasileiro de laticínios de qualidade, Minas Gerais deve grande parte dessa fama à Itambé, que é o nome fantasia da Cooperativa Central dos Produtores Rurais. Fundada há 60 anos, é a maior indústria do ramo com capital nacional. A organização conta com 27 cooperativas associadas, oito mil fornecedores e capta aproximadamente 100 milhões de litros de leite por mês. Atuando como compradora de insumos, processadora de matérias-primas e vendedora de produtos finais, emprega cerca de 2.800 funcionários.
A gigantesca cooperativa mineira dispõe de seis unidades para a fabricação de produtos lácteos, sendo que a fábrica de Sete Lagoas é considerada a maior do país em recepção de leite e a de Uberlândia a mais moderna. Ambas estão localizadas em Minas. Há duas outras em Goiás, além de duas fábricas de rações para animais. Os resultados excepcionais do setor em 2007, segundo o seu presidente, Jacques Gontijo, levaram a cooperativa mineira a antecipar em um ano os investimentos para ampliar sua produção. A Itambé fechou 2007 com faturamento de R$ 1,75 bilhão, 28% superior ao de 2006, e investe R$ 100 milhões para expandir as fábricas de Uberlândia e de Pará de Minas. "O bom desempenho da economia nos faz andar mais rápido", declara.
Do total de R$ 100 milhões que serão investidos até o final do ano, cerca de 40% já estavam no orçamento de 2008. Mas a Itambé decidiu ampliar os aportes em R$ 60 milhões com o propósito de duplicar suas atividades em Uberlândia, onde já produz leite em pó. Outros R$ 60 milhões deverão ser investidos em 2009. A exportação de leite em pó foi uma das responsáveis pelos bons resultados da Itambé no ano passado. As vendas externas, estimuladas pela alta dos preços no mercado internacional foram fundamentais para o desempenho da cooperativa.
Na verdade, desde que foi criada em 1948, a Cooperativa Central dos Produtores Rurais não pára de crescer. A história da empresa acelerou a evolução da pecuária do leite em Minas. A organização iniciou suas atividades numa espécie de iniciativa pioneira de privatização no País. Um grupo de cooperativas de produtos rurais arrendou naquele ano a União Central de Leite, até então subordinada à Secretaria de Agricultura.
Segundo Jacques Gontijo, a empresa se viabiliza à medida que cresce sua participação nas gôndolas dos supermercados. "A empresa que fica do mesmo tamanho tende a se esvaziar", explica. O portfólio de produtos conta com 120 itens aproximadamente, envolvendo as linhas de leite pasteurizado, leite em pó, leite UHT, leite condensado, leite com sabor, leite evaporado, creme de leite, doce de leite, manteiga, requeijão e iogurtes.
Destes produtos, muitos são campeões na preferência do consumidor. Em Minas, o leite condensado, o creme de leite, o iogurte e o requeijão são líderes. A manteiga Itambé é líder nacional, com 16% do mercado. O doce de leite é o mais vendido do Brasil, com 15% de participação. O requeijão é também a segunda marca mais comercializada no País, com 17% das vendas. Com apenas cinco anos de mercado, o leite condensado é o mais vendido nos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal, com 52% do total comercializado nestes locais. O produto ocupa a segunda posição no mercado nacional, com 33% das vendas.
A empresa atua fortemente no mercado de rações desde 1982. Seu objetivo é o de fornecer alimentos para animais por meio de linhas específicas para bovinos, suínos, eqüinos e a linha Petisko, lançada em 1999, voltada para cães e gatos. A cooperativa conta com uma linha de 85 produtos voltados para as diversas espécies animais. A produção atual excede a 200 mil toneladas anuais. "As novas fábricas suprem não só a necessidade de crescimento, comum a todos os segmentos do negócio, como também o aumento da produção de leite dos nossos associados", declara.
A Itambé adotou um modelo empresarial que elimina a intermediação em quase todas as operações, passando a ser a única responsável pelas diversas fases do processo de produção, como a análise, coleta, transporte, industrialização e comercialização do leite. Uma das suas iniciativas de maior resultado foi a criação de uma tabela de pagamento por qualidade do leite, que acresce rendimentos ao produtor. Há também uma bonificação natalina, que premia os produtores fiéis na entrega do leite. A bonificação é importante, segundo os produtores, pois contribuiu na formação do caixa para pagamento do 13º salário dos funcionários.
O dirigente se mostra particularmente entusiasmado com o cooperativismo, como uma das melhores maneiras de se praticar a democracia econômica. Segundo informou, na Itambé os ganhos financeiros são repartidos, da mesma forma que estaria dividindo os prejuízos se a empresa não estivesse bem. Quanto à gesta, uma cooperativa não difere de qualquer empresa comercial, com sua necessidade absoluta da eficiência e resultados positivos.
O grande crescimento da Itambé entre seus pares decorre, sobretudo, do programa de estímulo ao produtor rural. No ano passado, mais de 80% dos cooperados receberam bonificação em reconhecimento à fidelidade, assiduidade e à qualidade do leite produzido.
Por conta disso, das 100 maiores fazendas produtoras de leite no Brasil, 45 estão localizadas em Minas, seguido do Paraná.
Quase todos os grandes fazendeiros mineiros são fornecedores da cooperativa mineira, com destaque para Antônio Noronha Guarany, que produz 36 mil litros diários. Outros cooperados que apresentam grande produção são Antônio Alves Capanema , com 19 mil litros, Matozinhos Alves da Silva, com 17 mil litros, Antônio dos Reis, com 16 mil e Belmiro Coelho da Rocha, com 15 mil litros.
Fonte: Revista Gazeta Mercantil - Em Outubro/2008 |